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28janeiro2026

Quando o silêncio faz parte da mensagem

O “case” da campanha do Operário Ferroviário E.C.

Existe um equívoco muito comum no marketing: acreditar que a comunicação só começa quando a mensagem aparece.

Na prática, porém, percebemos que os cases mais fortes começam muito antes disso.

Foi exatamente esse o princípio por trás da campanha de sócio torcedor do Operário Ferroviário, time histórico da cidade de Ponta Grossa – Paraná. Ou, como é chamado por sua alcunha: o Fantasma da Vila Oficinas.

Antes de qualquer frase, antes de qualquer chamada, antes mesmo de qualquer explicação, a cidade foi provocada.

 

 Os outdoors surgiram cobertos por lençóis brancos, com olhos recortados. Uma imagem simples, quase desconfortável. Nenhuma marca visível. Nenhum texto. Nenhuma pista óbvia. Apenas um símbolo diretamente ligado ao apelido do clube: o Fantasma.

O que estava ali não era o anúncio: era o espaço para a curiosidade.

Afinal, agilidade é saber chegar no tempo certo

Durante dias, ninguém sabia exatamente o que estava sendo anunciado… E esse era o ponto.

A cidade começou a falar.  Torcedores fotografaram.  Influenciadores repostaram.
Teorias surgiram.

O mistério virou conversa espontânea.

Esse intervalo entre o “antes” e o “depois” não foi vazio. Foi estrategicamente ocupado. Um “case” no qual a comunicação não se fez pelo excesso de informação, mas por meio da leitura de cenário, timing e coragem para sustentar o silêncio.

Até porque o Design é uma forma de linguagem.

Visualmente, a ação foi direta. Sem complexidade desnecessária.

O lençol, os olhos, a escala urbana do outdoor… Tudo foi pensado para ser reconhecido à distância, compreendido rapidamente e lembrado com facilidade.

Estratégia é (também) o que acontece antes da revelação. E, então, quando os lençóis finalmente caíram, o conteúdo revelado encontrou um público que já estava pronto.

A frase “Eles têm medo. Nós temos história” não precisou disputar atenção. A atenção já estava conquistada.

Essa é a diferença entre anunciar e construir narrativa; entre aparecer e se infiltrar na conversa da cidade.

A campanha deixou claro que estratégia não é só o plano final, mas tudo o que acontece antes dele ser visível. É o cuidado com o ritmo, com o contexto e com o comportamento das pessoas.

Do espaço urbano ao imaginário coletivo.

O resultado foi mais do que uma campanha bem-sucedida.
Foi um movimento que ultrapassou a mídia de rua.

A ação ganhou continuidade no digital, se desdobrou em vídeo e ampliou seu alcance, fortalecendo o reposicionamento do clube.

O plano de sócio torcedor deixou de ser apenas uma oferta. Tornou-se parte da narrativa cultural da cidade.

O que esse case ensina: 

Esse não é um trabalho sobre lençóis, outdoors ou frases de impacto.
É sobre método: sobre entender a importância do timming, do que de fato é agilidade, da força do design como linguagem e do valor de uma estratégia pautada em contexto e narrativa. 

Afinal, ideias fortes não gritam; elas se instalam.

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